Sábado, Novembro 15, 2008

Com o meu muito obrigado

O corpo e o chão em Eduardo White

«Lembro-te: alguém no amor precisa de estar nu para mostrar ao outro que está demasiado vestido.». Assim abre e fecha o pequeno, mas irascível novo livro de poesia do moçambicano Eduardo White. Com o título sonoro e desconcertante «Dos Limões Amarelos do Falo às Laranjas Vermelhas da Vulva», o autor executa uma odisseia pelas pulsões primárias do corpo e do desejo: em rajadas de linguagem, em alucinações verbais despidas de qualquer pudor, penetra o corpo da mulher africana de cheiro forte, chão da África real e utópica. São ácidos estes limões, que se acoitam e desamparam nas dulcíssimas laranjas sanguinolentas; é, sobretudo, uma poética de extrema solidão tecida com um método dramático, repleta de raiva e desespero, ou não fosse o amor matéria incerta e fugidia, pleno de exaltação e de dúvidas, de sonho, ilusão e perda. É, realmente, de nudez que aqui se fala: a nudez das intrigas que o desejo tece contra si próprio; a nudez de todas as sensações e todos os frémitos; a nudez dos sonhos e das realidades; a nudez que nos faz sentir, incomodamente, demasiado vestidos. Nascido em Quelimane (Moçambique) a 21 de Novembro de 1963, Eduardo Costley White tem colaboração na imprensa lusófona e tem publicados, entre outros títulos, “Amar sobre o Índico” (1984), “País de Mim” (1990), “Poemas da Ciência de Voar e da Engenharia de Ser Ave” (1992), “Dormir com Deus e um Navio na Língua” (2001), “As Falas do Escorpião” (2002), “O Manual das Mãos” (2004). Já arrecadou vários prémios literários e foi considerado em 2001, em Moçambique, a Figura Literária do Ano. Com uma poética atada ao chão do seu país, configurada com densidade amorosa e pujante erotismo que dão conta da «humana meteorologia», White foi classificado por Mia Couto como um poeta que «vive com o coração», que sempre «escreveu para dar a ver.». Trata-se de um compromisso entre o amor e a escrita explicado assim por White: «faço amor contigo como escrevo e só escrevo em plena liberdade e ouvindo os rumores, os arfares, os gritos, os rumores que implicam profundamente essa palavra». Com efeito, se em White, «cada palavra, cada metáfora e cada imagem criam tremores de sentidos», como diz Carmen Lucia Secco, em «Dos Limões Amarelos do Falo às Laranjas Vermelhas da Vulva» apresenta-se o gesto vertiginoso do corpo do amante, em idas e vindas, que se agita, encontra e esgota no corpo da amada. E a palavra – que nos faz «voyeurs, escondidos nas páginas», como bem refere Reinaldo Ribeiro, no Prefácio – lá está a dizer as «causas profundas da sede», crua, terna, incómoda e, provavelmente para muitos, chocante. Atesta-se a impulsão do desejo, o beijo, «anel linguisticamente molhado, regado por dentro do macio apaladado das papilas, da dormência dos lábios», o beijo com o qual «pode o falo levantar-se, devagarmente arguto como um embrião a espreguiçar-se» e a «missão de suborno pelas ruas» do corpo da amada, que é também uma incursão pela Pátria; neste sentido, White cria um objecto verbal pleno de elasticidade que atende às tensões, angústias e cicatrizes de um povo, e que lhe serve de grito: Estou louco, mascarado no nu doido que sou aqui, lambendo-te, poro a poro, pêlo a pêlo, como um faminto indigente; Cheirar-te desde as vísceras, o cheiro forte da mulher que és quanto mais te entro, alongado, viscoso como um molusco, a apalpar-te metro a metro, tecido a tecido, e a chamar-te nomes que são feios mas que aqui levam o milagre de serem belos e acariciantes; Este país é tão parecido contigo, (…) E as badjicas, meu amor, as badjicas amarelecidas de tempero naquele pão fortíssimo para cimentar o vácuo do estômago, a fome que de nós se não afasta, se mantém viva, nefastamente teimosa no partilhar o já pouco que cobre as nossas mesas. Meu país suburbano e só urbanizável no amor. Para Reinaldo Ribeiro, este livro impressiona pela «crueza do desespero a que o poeta se abandona, e da sua impotência perante a imprevisibilidade do Amor.». Cartografando o amor, depois do êxtase no corpo amado há o frio da cicuta, a perda, que não é mais do que a perda primitiva, a que já estava no momento do êxtase: «Pergunto-me: que batalha foi esta tão esmagadora, arrasante de calafrios»; «Chega-me um certo cansaço, um Inverno aberto à insónia e ao crime. Amor, talvez não sintas esse cheiro a medo, este suor peganhento agarrado aos lençóis, este odor a enxofre.». No combate contra essa morte, está, pois, a escrita, câmara de ecos universais, projecto assumido claramente pelo autor: O amor, reparo, sangra como um aparo lento nas palavras, apagadas, tolhidas, incertas, ruídas, cercadas e assustadas. Custa-me tanto acreditar no que vejo, nestes escombros ácidos, nestes estilhaços tatuados nas paredes. O ar é pesado e envelhecido, é como um cais mórbido e paralisado, é como se babasse mapas rasgados, bússolas vomitadas, cadáveres enlouquecidos; (…) Então, por essa razão, te escrevo não com o fim de que morras mas que vivas eterna para mim, e escrevo-te em esperanto, mandarim, árabe, grego e em outras línguas que não sei desenhar pelo papiro delicado do teu corpo e faço-te tecido e sedas caras com os cabelos que sinto trespassarem-me a carne com maciez e alguidares de barro com argila perfumada e incensos de acácia e madressilvas e cidras que vou espremendo para a minha língua como um peregrino perdido que encontrou a fonte e a frescura da água e o repouso da sombra. Dos Limões Amarelos do Falo às Laranjas Vermelhas da Vulva, Eduardo White; Editorial Campo das Letras, Porto, Junho 2008 © Teresa Sá Couto

Publicado por AMURAR em 17:58:14 | Permalink | Comentários (1) »

Segunda-feira, Agosto 4, 2008

O RISO SÓBRIO DA EMBRIAGUEZ

Publicado por AMURAR em 08:41:16 | Permalink | Comentários (1) »

Sábado, Agosto 2, 2008

La mierda no se olvida, para que lo saibas

aoMano Dino. Ola.Como vais? Eu ja estou em Sao Paulo. Um abraço querido para ti.
Olha envia-me 4 exemplares do teu livro. 

Luis Cezerilo que me escreveu isto:
ao que respondo:

También hay razones para que la cabeza anoiteça y eso no se contesta como no se contesta el hecho de un hombre estar prisionero en el dentro de su cabeza. De cócoras y descalço, él mira a través de las rejas retinais de sus ojos lo que le es exterior y lo que el mapeia: ciudadano individual e intransmissível, con patria y bandera y nidos a la ventanas de las residencias. Desaprendido, revê-si en el que nunca supe y, creo que sí, del que nunca hizo y juzgó el contrario.
Un hombre de ese modo, no está enfermo. Está, sólo, encadenado con la verdad con la cual se descubrió. A escribir en las paredes de la cabeza y en vuelta de ella gravitando. Ese hombre emagrece en la grasa de las palabras que nunca leerán las autopsias que le hagan las meticulosas manos enluvadas de los legistas.
 
Él sabe que jamás se pretendió diferente de nadie ni que nadie lo viera de otra manera desiguala de cualquier otro legítimo ciudadano. Sólo en la diferencia que es a de ser prisionero, igualmente igual a cualquier otro, pero cumpliendo pena en su cabeza.
Los dolores en sí, tienen otras formas geométricas más elásticas y ni la aritmética las calcula longitudinalmente y a la altura. Podrán hallar todo esto demasiado hermético y, en la verdad, con absoluta razón. Basta sólo notar que, por tal razón, el hombre congela no de frío, pero por falta de espacio ya no le permite la cabeza resíduos sólidos envejecidos y manifestaciones personales ecológicamente higiénicas.

Publicado por AMURAR em 10:01:36 | Permalink | Sem Comentários »

Quinta-feira, Julho 24, 2008

COM A DEVIDA VÉNIA AO AUTOR E UM OBRIGADO À GUTA

Falou e disse.
 
 
A opinião de uma mulher branca acerca da mulher negra, e a
resposta de um homem negro.
Por favor, tire um momento para ler isto. Muito Profundo!
Crédito seja dado a este homem negro que se levantou e nos defendeu (o que mutias vezes nem nós próprias o fazemos).
Bom proveito.

Um artigo escrito para a revista ‘Sister 2 Sister’ (Irmã para Irmã), por uma
mulher banca que pedia a resposta de homens negros. Estou feliz que ela
recebeu o que queria (e mais)!!!

Querida Jamie:
Desculpa-me, mais eu gostaria de dar um desafio a todos seus leitores
masculinos negros.
Eu sou uma mulher branca que esta noiva de um homem negro charmoso, educado e amoroso. Eu só não entendo as atitudes que as mulheres negras têm acerca da minha relação.
O meu homem decidiu que ele me queria, porque a escolha entre mulheres
negras era muito reduzida. Como ele diz, eram ou muito gordas, obscenas, más, muito argumentativas, muito necessitadas, materialistas, ou carregando muita bagagem.
Antes do meu noivado, sempre que saía, era constantemente aproximada por
homens negros que estavam dispostos a paparicar-me, e dar-me o mundo. Se as mulheres negras estão tão na defensiva por nós  estarmos com os homens   delas, porque que não olham para elas mesmas, e fazem algumas mudanças?
Estou cansada das olhadas e comentários quando estamos em publico. Eu gostaria de ouvir de alguns homens negros, o porquê que é que somos tão
desejadas por eles.
Bryant Gumbel deixou a sua mulher de 26 anos por uma de nós, Charles  Barkley, Scottie Pippen, o modelo Tyson Beckford, Montell Williams, Quincy
Jones, James Earl Jones, Harry Belafonte, Sydney Poitier, Kofi Anan, Cuba
Gooding Jr., Don Cornelius, Berry Gordy, Billy Blanks, Larry Fishburne,  Wesley Snipes……
Eu posso continuar e continuar. Mas, neste momento, estou um bocado zangada, e é por esta razão que estou a escrever isto muito rápido. Não fiquem
zangadas connosco mulheres brancas, porque muitos dos vossos homens nos
querem. Ponham-se na linha e aprendam connosco, nós ainda vos podemo  orientar em como tratar bem os vossos homens . Se eu estiver errada, homens
negros, façam-me saber!
Mulher Branca Repugnada, Algures em Virginia/EUA

Resposta:

Querida Jamie:
Eu gostaria de responder a carta escrita pela Mulher Branca Repugnada.
Deixa-me começar por dizer que sou um homem negro de 28 anos. Graduei-me
numa das mais prestigiosas Universidades de Atlanta, Geórgia com Bacharelato em Gestão de Empresas. Tenho um bom emprego numa Grande Empresa, e recentemente comprei uma casa. Por isso, me considero um dos homens  negros bem sucedidos.

Eu não vou usar o meu tempo precioso, para denegrir as pessoas brancas. Só
queria esclarecer o porquê que o homem negro anda com a mulher branca. No
passado, umas das grandes razões por quais os homens negros andavam com
mulheres brancas, era porque elas eram consideradas fáceis.
As mulheres negras no meu bairro foram criadas na igreja.
Eram muito estritas quanto a perder a virgindade, e com quem a perdiam. Por
causa da nossa impaciência, olhávamos para quem nos daria mais facilmente, e sem dar muito trabalho. Então, viramo-nos para as mulheres brancas.
Hoje em dia, em minha opinião, muitos dos homens negros andam com mulheres brancas porque elas são dóceis e fáceis de controlar.
Muitos homens negros, por causa das suas inseguranças, medos, e fragilidades, ficam intimidados pela força das nossas mulheres negras. Estamos com medo que as nossas mulheres façam maior sucesso que nós, e façam mais dinheiro do que nós, conduzam carros melhores, e tenham casas maiores. Por causa desse medo, muitos homens negros procuram por uma mulher dócil. Alguém que nós possamos controlar.
Eu já falei com muitos homens negros, e eles continuamente comentam o quanto é fácil controlar e pisar em cima das suas mulheres  brancas.
Só para esclarecer!
Quero que a Mulher Branca Repugnada saiba que nem todos os homens  negros bem sucedidos andam com mulheres brancas.
Homens negros como Ahmad Rashad, Denzel Washington, Michael Jordan, Morris Chestnut, Will Smith, Blair Underwood, Kenneth ‘Babyface’ Edmonds, Samuel L. Jackson, e Chris Rock, todos casaram com mulheres negras fortes e, por outro lado, existem muitos homens brancos, que em público ou não, que aberta ou secretamente preferem mulheres negras a brancas.
TedDanson, Robert DeNiro, and David Bowie, só para mencionar alguns.
Eu só não quero que a Mulher Branca Repugnada esteja a ser mal informada,  deixe de pensar que por vocês serem brancas, são algum tipo de deusas.
Lembre-se, que enquanto Rainhas Negras Egípcias como Hepsepshut e Nitorcris reinavam dinastias e exércitos de homens em Egipto, vocês estavam nas caves da Europa a comer carne crua e batendo-se uns aos outros na cabeça com mocas. LEIA A SUA HISTÓRIA.
Foi a mulher negra , que vos ensinou a cozinhar e a condimentar a comida.
Foi a mulher negra, que vos ensinou a criar e educar os vossos filhos.              Foi a mulher negra, que estava a amamentar e a criar os vossos filhos durante a escravatura.
Foi a mulher negra, que suportou ver os seus pais, maridos e filhos a serem espancados, mortos e presos.                                                                      As mulheres negras nasceram com duas coisas contra elas: serem mulheres e serem negras. E, apesar disto tudo, ainda se erguem! É pela força, elegância, poder, amor e beleza da mulher negra que eu não posso, e nunca poderei andar com mais ninguém, a não ser com a minha rainha negra. Não é só a beleza exterior que me cativa e me leva a elas. Não é o facto de elas virem em todas formas, tamanhos, cores e tons que as amo.
A sua beleza interior, é o que acho mais apelativo nela. O seu espírito forte, amoroso que nos ajuda a crescer. A sua integridade, a sua abilidade de superar grandes obstáculos, a sua vontade de sustentar aquilo em que
acreditam, e a sua determinação em singrar e alcançar o seu mais alto  potencial, enquanto supera grandes dores e sofrimentos, é por isso que eu me
apaixonei pela mulher negra.
Honestamente acredito, que a sua zanga esta mais gerida pelo ciúmes e inveja
do que as olhadas que recebe. Se isso não fosse, então porque é que estão  constantemente nos salões bronzeando,para escurecer a pele? Se estão tão
orgulhosas de serem brancas, então porque que não ficam contentes com as
suas pálidas peles? Porque que continuam a injectar os lábios, nádegas, e
seios com substancias artificiais e perigosas, só para parecerem mais cheias
e mais volumosas?
Eu acho que a sua zanga, é o resultado de vocês quererem ter o que a mulher
negra tem.
Resumindo e concluindo: Se eu estivesse a procura de uma mulher dócil,  alguém que eu pudesse pisar e controlar, eu te faria uma chamada. Mas
infelizmente, estou a procura de uma mulher virtuosa.
Alguém que possa ser uma boa esposa, e mãe para os meus filhos.
Alguém que possa ser minha melhor amiga, e entender os meus problemas. Estou a procura da minha alma gémea. Estou a procura de uma mulher negra. E infelizmente, tu não és, e nem nunca poderás servir este propósito.
Sem considerar ofensa, e sem querer ofender,
Assinado, Realeza Negra

Publicado por AMURAR em 11:56:23 | Permalink | Comentários (2)

Quarta-feira, Junho 25, 2008

E ESPEREMOS QUE TUDO ME CORRA MELHOR DO QUE CORREU AO MEU PAÍS

Publicado por AMURAR em 03:31:48 | Permalink | Sem Comentários »

Quinta-feira, Junho 19, 2008

UM ABRAÇO APERTADAMENTE MOÇAMBICANO

Caso não consiga visualizar esta informação correctamente > clique aqui <
 
 

 

 

PROSA POÉTICA
COLECÇÃO Instantes de Leitura
56 PP. | FORMATO 13.5X21 CM
ISBN 978-989-625-308-0
PVP 00.00 €

Outros livros de Eduardo White na Campo das Letras:

O Manual das Mãos
 

Dos Limões Amarelos do Falo às Laranjas Vermelhas da Vulva


Eduardo White

Lembro-te: alguém no amor precisa de estar nu para mostrar ao outro que está demasiado vestido.

25
JUNHO

4ª Feira
Sessão de Lançamento
LISBOA

PÓLO TECNOLÓGICO DE LISBOA
Rua 1 – Lote 25
Telheiras – Lisboa

18h30

apresentação da obra
pelo poeta moçambicano
Luís Carlos Patraquim

momento de “dizer”
pelo autor e
pela
declamadora Elsa Noronha
 

«Todos os anteriores trabalhos de Eduardo White me sensibilizaram pela sua poética lúcida, simultaneamente bela e terna mas, em “Dos Limões Amarelos do Falo às Laranjas Vermelhas da Vulva” impressionou-me, particularmente, a crueza do desespero a que o poeta se abandona, e da sua impotência perante a imprevisibilidade do Amor. Considero-o um livro fascinante.» Reinaldo Ribeiro


Numa preocupação com as origens, Eduardo
White reflecte na sua poesia a sua história e reflecte sobre Moçambique, numa tentativa de apagar as marcas da guerra e de dignificar a vida humana. Para isso, escreve através de um amor diversificado que pode ser pela amada, pela terra ou mesmo pela própria poesia, sempre num tom de ternura, de onirismo, de musicalidade e de erotismo.
 

Escritor moçambicano, Eduardo Costley White nasceu em Quelimane (Moçambique), a 21 de Novembro de 1963.
Após uma formação durante três anos no Instituto Industrial, o escritor exerceu funções directivas numa empresa comercial, foi membro do Conselho de Coordenação e fundador da revista «Charrua» e dirigente da Associação de Escritores de Moçambique.
Tem colaboração na imprensa lusófona e várias publicações como “Amar sobre o Índico” (1984), “País de Mim” (1990), “Poemas da Ciência de Voar e da Engenharia de Ser Ave” (1992), “Dormir com Deus e um Navio na Língua” (2001), “As Falas do Escorpião” (2002), “O Manual das Mãos” (2004), entre outros.
Recebeu vários prémios literários e foi considerado, em 2001, em Moçambique, a Figura Literária do Ano.

 

CAMPO DAS LETRAS – Editores, S.A. > Edifício Mota-Galiza – R. Júlio Dinis, 247 – 6º E 1  > 4050-324 Porto
campo.letras@mail.telepac.pt  > Tel. (351) 22 608 08 70 > Fax (351) 22 608 08 80

 
Esta newsletter foi-lhe enviada porque manifestou interesse em recebê-la, autorizando o seu envio para a sua caixa de correio electrónico. Caso a tenha recebido indevidamente, agradecemos que nos comunique, enviando um e-mail para noticias@campo-letras.pt, colocando ‘remover’ no assunto. Obrigado.

Publicado por AMURAR em 12:59:51 | Permalink | Sem Comentários »

Terça-feira, Junho 17, 2008

Sei Lá

Sei lá porque haverão estas parcas palavras sobre a minha língua, porque respirarão tão inquietas e apulmonadas, tão maiúsculas e tão doídas.

Sei lá porque as repito tanto ao pronunciá-las, porque insiste este erro que é ser eu  a falá-las.

Sei lá porque me apetece estar aqui a escrever o que não sei ler para mim.

Sei lá.

Sei lá porque me inquieta perguntar-me tudo isto e porque me aflije não respondeder a coisa nenhuma.

Sei lá.

Sei lá porque a esta hora me indetermino tão triste, tão reveladamente obstinado com esta porcaria que é computar a dor, a ferida, o puz nauseabundo da insónia.

Sei lá porque me descontento com a possibilidade que é eu ainda estar consciente que posso, com putas dores, computar estas insónias irreverentes de ser capaz , de acordado, escrever mesmo sabendo que tenho  janelas em casa, e não grades, e, igualmente, posso abrir as portas que posso fechar por serem as chaves minhas.

Sei lá porque tenho a mania que alguém ache graça a estas pequenas e mesquinhas manias minhas de dizer o que toda gente já sabe que foi e que já está dito.

Sei lá.

Sei lá porque não estou a dormir e porque não me aborrece o facto de ter medo de reconhecer a razão pelo qual não o estou a fazer.

Sei lá. 

Sei lá porque me acobardo tanto acordado ou porque a cobardia se acoborda comigo tão dormida e descansada.

Sei lá.

Sei lá.

Sei lá porque mascaro este idiota que fuma e que bebe e que se zanga com a liberdade de fazer tudo isso.

 Sei lá.
 Se lá porque não me cheiro na porcaria que sou e sei lá porque gosto desta porcaria que é escrecrever quando os outros amam com alegria a alegria com a qual não consigo amar esta tão evidente ironia:

O colchão do sono só tem as molas cómodas quando a vida não é um abandono.

Sei lá.

Sei lá.

Sei lá eu porque não sei e os outros sabem que não sei.

Sei lá. 

 

 

 

                                                                     

Publicado por AMURAR em 19:22:43 | Permalink | Sem Comentários »

Segunda-feira, Junho 16, 2008

Porque é sempre necessário criar

Publicado por AMURAR em 18:16:16 | Permalink | Sem Comentários »

Domingo, Maio 18, 2008

ESTA ÁFRICA QUE VOS FALA

GRUPO AFRICANO DE EMBAIXADORES
COMEMORAÇÕES DO DIA DE ÁFRICA
Por ocasião do dia 25 de Maio, dia de África, temos a honra de convidar V. Exa.
para assistir ao Festival de Poesia Africana, que se realiza no dia 15 do corrente,
no Teatro da Comuna, sito na Praça de Espanha, em Lisboa, das 18h às 20h.
Direcção e Produção: Eduardo White

Publicado por AMURAR em 07:23:50 | Permalink | Sem Comentários »

Terça-feira, Maio 13, 2008

DESACORDADO LAVRO COM HUMILDADE A PEQUENEZ DA VIDA

A Rita

Chico Buarque

Composição: Chico Buarque

A Rita levou meu sorriso
No sorriso dela
Meu assunto
Levou junto com ela
O que me é de direito
E Arrancou-me do peito
E tem mais
Levou seu retrato, seu trapo, seu prato
Que papel!
Uma imagem de são Francisco
E um bom disco de Noel

A Rita matou nosso amor
De vingança
Nem herança deixou
Não levou um tostão
Porque não tinha não
Mas causou perdas e danos
Levou os meus planos
Meus pobres enganos
Os meus vinte anos
O meu coração
E além de tudo
Me deixou mudo
Um violão

Publicado por AMURAR em 01:19:37 | Permalink | Sem Comentários »